Ter intercâmbio faz diferença na entrevista de emprego. Mito ou verdade?

Descubra por que as empresas procuram por pessoas que tenham feito intercâmbio. E entenda por que a falta da viagem não afeta suas chances de conseguir a vaga.

por Jéssica Lopes 3.186 views0

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Criou-se a lenda de que o intercâmbio é bilhete de passagem para o sucesso nos processos seletivos. Talvez por isso, muitas apresentações pessoais sejam um show de intercâmbios, e o candidato veja ali a chance de mostrar que essa tão importante experiência está em seu currículo. Mas qual será a real importância do intercâmbio para processos seletivos?

 

A seguir, apresentaremos diferentes pontos de vista, de forma que você consiga tirar suas próprias conclusões sobre o valor e impacto do intercâmbio para sua carreira.

 

Entenda o lado de quem fez intercâmbio:

Em entrevista, Aimée Ramos, que fez um intercâmbio de 2 meses para a Romênia em 2011, conta seus principais aprendizados.

 

Ligado na Facul: Por que o intercâmbio é tão importante?

Aimée: “O intercâmbio abre sua cabeça para viver ao lado de novas culturas, mas tem um lado que poucas pessoas abordam, e que para mim foi o que mais marcou: o contato que tive comigo mesma, com as minhas angústias, minhas forças e minha capacidade de me adaptar ao diferente e ver que este “rótulo” de diferente só tende a classificar o novo e que o novo pode ser muito bom desde que a gente saiba aproveitar e respeitar.

 

Ligado na Facul: Quais foram os desafios que enfrentou durante a viagem?

 

Aimée: Tive que sair completamente da minha zona de conforto. Não sabia fazer uma simples baldeação no metrô e três dias depois estaria entrando em um avião pela primeira vez, entrando em aeroportos enormes de países distintos e por fim, estaria morando na Romênia por dois meses.

 

Tive problemas de adaptação, senti saudade, mas cresci a cada segundo que passei lá. Trabalhar com um time internacional foi um grande choque e, ao mesmo tempo, uma grande satisfação. Construir o trabalho em conjunto e conhecer a cultura de cada lugar foi o que mais me marcou.

 

A opinião de quem não fez intercâmbio:

 

Para mostrar esse outro lado da moeda, entrevistamos Claudia Ideguchi, Editora de Entretenimento do Portal PlayTV, que contou sua experiência com processos seletivos, mesmo sem ter feito intercâmbio:

 

Ligado na Facul: Você se sentia insegura por não ter intercâmbio?

 

Claudia: Não. O intercâmbio para mim sempre foi uma possibilidade de aperfeiçoamento pessoal, mais que profissional. Claro que ter a vivência de uma língua estrangeira no país de origem dela é interessante e muito bom, mas não invalida um curso feito no país com igual empenho, por exemplo. Hoje em dia, depois de terminar a faculdade e a especialização, o intercâmbio serviria para fazer cursos de aperfeiçoamento, mas é um luxo; quem consegue guardar dinheiro e vai faz bem, quem não consegue tem outras oportunidades por aqui também.

Veja também:  A ansiedade pode me atrapalhar no processo seletivo. Mito ou verdade?

 

Ligado na Facul: Quais outras experiências você apresentava para mostrar seu diferencial?

 

Claudia: O diferencial sempre veio das experiências anteriores e de vender o produto. Sempre frisei nas entrevistas o que aprendi nos meus empregos anteriores e as minhas aspirações para o atual. É preciso acreditar que seu trabalho é único e que você pode fazer a diferença.

 

Veja por que os recrutadores dão importância à viagem:

 

Para finalizar, escolhemos dois profissionais da área para desumidificar a ideia do intercâmbio como pré-requisito para o sucesso nos processos:

 

As consultorias de RH, muitas vezes responsáveis pelo processo avaliam a experiência no exterior como favorável ao candidato. Para Caroline Cobiak, consultora da Across: “Toda experiência é importante quando agrega valor e conhecimentos para os candidatos, seja um intercâmbio, um trabalho voluntário, um trabalho na empresa júnior da faculdade ou no diretório acadêmico. O que importa é o que trouxe para a pessoa.”

 

Já André Bruttin, professor da PUC-SP, explicou a importância da viagem de intercâmbio para as empresas. Segundo ele: “O mercado ainda avalia alguns aspectos positivos no intercambio:

A) experiência em outra cultura pode ajudar no processo de adaptação caso o candidato tenha de conviver com profissionais daquela cultura aqui no Brasil ou tenha de ser enviado para trabalhar lá.

B) a iniciativa de fazer o intercambio sinaliza um grande compromisso com a carreira, o que é muito bem visto neste inicio de trajetória.

C) por fim podemos dizer que se além do aprendizado da língua o candidato conseguiu alguma experiência de trabalho (melhor ainda se na sua área) certamente seu currículo fica em muito reforçado.

 

No entanto, o intercambio não é a única forma de obter fluência em outro idioma; conviver com pessoas de outras culturas ou de demonstrar iniciativa para com a própria carreira. O intercambio é apenas uma opção, mas é possível estabelecer um plano para adquirir fluência sem sair daqui.”

 

Tendo isso em mente, uma coisa é fato: o intercâmbio indica que o candidato, tendo uma experiência internacional, possui um bom conhecimento no idioma. No entanto, não se engane: o intercâmbio não é garantia de sucesso nos processos seletivos.

 

O intercâmbio é uma experiência que promove oportunidades como contato com diferentes culturas, adaptação, independência e crescimento pessoal, mas que existem outros meios de adquirir experiências igualmente importantes – e para fazer essa escolha, nada melhor que se conectar consigo mesmo e entender com que tipo de caminho você mais se identifica.

Jéssica Lopes

Formada em Psicologia pela PUC-SP, sempre se interessou pelo comportamento humano. Ela vê a carreira como parte essencial da vida de qualquer pessoa e aqui consegue auxiliar o desenvolvimento profissional de muitos jovens, sempre trazendo dicas e respondendo dúvidas comportamentais e de carreira.