Segunda-feira, 02 de Julho de 2012 - 11h51

Coração de (mãe) estudante

Paula Boyd não desistiu da facul quando soube que estava grávida no último período da graduação


Uma das tarefas mais difíceis da maternidade é conciliar os deveres de mãe com as outras atividades que desempenhamos. Nós, mulheres, temos a capacidade de realizar múltiplas tarefas ao mesmo tempo, mas como saber se estamos dando conta de tudo? Ser mãe exige dedicação integral e, quase sempre, os estudos também.

Quando se tem filhos pequenos, existe uma dificuldade maior em dar segmento aos estudos. Crianças menores são mais dependentes da mãe; usam fralda, precisam de colo, não tomam banho sozinhas e, mesmo que tenhamos ajuda, é sempre muito penoso deixar em casa um bebê ou uma criança de pouca idade.

Quando meu filho nasceu eu tinha acabado de me formar na faculdade. Descobri a gravidez no último período e muitas pessoas me aconselharam a trancar e concluir depois. Nem precisei pensar muito e resolvi seguir com o curso porque se eu deixasse para depois, seria “muito” depois.

Eu queria realmente poder me dedicar a ele, sem culpa de ter pendências, de ter deixado um sonho para depois ou de ter que retomar os estudos em breve, deixando outro sonho de lado: ser mãe em tempo integral, pelo período que eu julgava necessário.

Lutei muito, cursei sete disciplinas, além da monografia e concluí a graduação aos seis meses de gestação. Meu filho nasceu três meses depois e eu colei grau no mesmo dia em que tirei os pontos da cirurgia. Sim, meu filho foi na minha colação de grau e “viu” a mãe dele se formando (que orgulho!).

Dediquei dois anos da minha vida a cuidar dele, mas foi escolha minha. Existem mães que precisam voltar ao trabalho ou às salas de aula mais cedo, e não há nenhum problema nisso. Penso que tudo que uma mãe faz é em favor do futuro de seus filhos e, se depender de determinados sacrifícios, eles devem ser feitos.

Eu resolvi voltar a estudar depois que parei de amamentá-lo e ele já estava na escola, mais independente. Fiz inscrição em um curso de pós-graduação, mas infelizmente não foi formada nenhuma turma e eu aguardei outro curso de meu interesse. Com isso, ganhei tempo para trabalhar e começar a me preparar para a rotina da mulher moderna: mãe, estudante e trabalhadora.  Logo que ele completou três anos, além de já estar trabalhando eu comecei a cursar um MBA.

Como mãe, sempre passa pela minha cabeça se estou dedicando tempo e atenção suficientes ao meu filho. Às vezes me sinto culpada por estudar, trabalhar, respirar e saber que tudo isso significa sacrificar um tempo que poderia estar passando com ele.

Cheguei à conclusão de que todo o meu esforço é para o bem dele, para o futuro que quero construir para nós dois. Quando me sinto cansada ou desestimulada eu lembro: “é por ele! Continua!”. Sei que agora, talvez ele não entenda o tempo que eu preciso passar fora de casa ou o tempo que estou em casa estudando, mas ele vai crescer e vai ver uma mãe que se desdobrou em mil para assegurar melhores condições para ele e ainda deu conta de brincar de super-herói no fim do dia.

Cuido dos negócios da família, concluo o MBA em agosto deste ano, estudo para concursos por conta própria e me considero uma mãe presente e dedicada. O segredo é que o tempo que você passar com seus filhos seja de qualidade e o tempo que você se dedicar aos estudos também seja bem aproveitado. Pretendo fazer mestrado e ainda quero, em longo prazo, repetir a experiência da maternidade.

Para quem está na mesma situação, acredite: você não é a única. Invista em você, estude, cuide do futuro da sua família dentro e fora de suas responsabilidades domésticas. Mães que estudam são bons exemplos para seus filhos. Boa sorte!

Essa é a história de Paula Boyd. Você também pode participar! Escreva para ligadonafaculsp@gmail.com

+ Papo de Universitário  |  Compartilhar | 
+

Copyright© 2014 | ligadonafacul.com.br | Todos os direitos reservados / All rights reserved.