Conheça a Lean Survey, o aplicativo que te paga em troca de pesquisa

Criada por engenheiros da Poli-USP enquanto ainda eram alunos, o aplicativo é ideal para os universitários

por Mariana Lourenço 3.769 views0

Lean Survey

Você já participou de uma pesquisa de rua? E se, nas suas horas vagas, você pudesse ser o entrevistador e ainda ganhar dinheiro com isso? Então você precisa conhecer a Lean Survey, startup de Fernando Salaroli e Alessandro Andrade, engenheiros formados pela Poli-USP.

Criada quando ainda estavam na faculdade, a Lean Survey não foi a primeira ideia dos dois sócios. Infelizes de trabalhar no mercado financeiro e apaixonados por tecnologia, os amigos começaram a pensar em aplicativos que pudessem desenvolver. A primeira ideia foi uma rede social, que não deu certo, mas não foi razão para desistir.

Com a oportunidade de conversar com empresas, Fernando e Alessandro descobriram que a pesquisa de mercado era algo essencial para elas conseguirem informações, mas criticavam a qualidade e o custo. Assim, surge a ideia da Lean Survey.

Levaram a ideia para o Desafio Brasil, programa educacional voltado ao empreendedorismo e inovação em uma competição de startups de jovens empreendedores. O Desafio foi uma ótima oportunidade para investidores conhecerem a startup. Apesar de não terem ganhado a competição, conseguiram investidores e, hoje, com 2 escritórios e 10 funcionários, a startup só cresce.

Conversamos com Alessandro para saber mais da caminhada da dupla. Confira:

 

Ligado: Vocês começaram a empreender quando ainda estavam na faculdade. Como surgiu essa vontade?

Alessandro: Em 2013, nós dois éramos estagiários de grandes bancos de investimento, eu no Itaú BBA e o Fernando no Morgan Stanley. Por curiosidade, ambos estavam trabalhando na mesma área (mesa de operações) e ambos estavam infelizes com a carreira de trabalhar em Bancos de Investimentos. A carreira oferecida pelos bancos é excelente, extremamente desafiadora e permite altos retornos. Mas não era o que queríamos.

Nesta mesma época, dois dos nossos melhores amigos da faculdade tinham aberto a própria startup e a empresa deles começou a dar certo: passaram em um processo de aceleração, fecharam contrato com o primeiro cliente e receberam a primeira rodada de investimento. Ver dois dos nossos melhores amigos começando um negócio do zero e fazendo dar certo nos mostrou que era possível que nós dois também abríssemos a nossa própria startup.

Desde sempre, nós dois tínhamos paixão por tecnologia e tínhamos vontade de criar o nosso próprio app/plataforma. Porém acreditávamos que não tínhamos os recursos necessários ou que não daria certo. Ver os nossos amigos criando a startup deles e fazendo dar certo nos deu a coragem que faltava para nós dois largarmos o banco e começar a empreender.

 

Ligado: Como vocês organizavam o dia a dia para conseguir tocar um projeto e estudar para a faculdade?

Alessandro: Tivemos a sorte de sermos incubados por um laboratório da Escola Politécnica da USP chamado Inovalab. Este é um espaço para fomentar a inovação e dar um abrigo para as startups da Poli em estado inicial. Então nosso local de trabalho ficava do lado das nossas salas de aula.

Basicamente, todo o tempo que não estávamos em aula, estávamos trabalhando no laboratório. Chegávamos na faculdade umas 07:30 da manhã e ficávamos até as 22:30, que era o horário que o prédio fechava e tínhamos que ir embora do laboratório. Nesse meio tempo, estávamos ou na aula ou no laboratório trabalhando na Lean Survey. Nosso único break era o almoço. Nessa época, ambos tiveram que abdicar de fazer esporte ou outras atividades porque queríamos fazer a startup dar certo, e para isso era preciso utilizar todo o tempo que tínhamos fora da sala de aula.

Foi puxado, mas o fato do nosso local de trabalho ser dentro da faculdade foi essencial para conseguirmos dar conta de tudo.

 

Ligado: A primeira ideia de vocês foi uma rede social, mas não deu certo. Como vocês lidaram com isso? Tiveram vontade de desistir?

Alessandro: Não, em nenhum momento pensamos em desistir. Por mais que nada estava dando certo para nós, eu e o Fernando tínhamos muita confiança um no outro (somos amigos há mais de 7 anos) e tínhamos tomado uma decisão que era com isso (startup) que queríamos trabalhar.

Somado a isso, todos os grandes nomes do empreendedorismo falam que a maioria dos empreendedores bem-sucedidos tiveram vários projetos que não deram certo antes de ter seu primeiro sucesso. Eles falam que a característica mais importante em um empreendedor é a sua resiliência, sua capacidade de perseverar quando outros desistiram.

Então sabíamos que tínhamos que perseverar.

 

Ligado: Como surgiu a ideia da Lean Survey?

Alessandro: Em nosso primeiro projeto, a forma como iríamos monetizar nosso aplicativo seria através da venda de informações de Business Intelligence. Então fomos conversar com nossos possíveis clientes futuros sobre que tipo de informação eles compravam e a resposta, normalmente era: pesquisa de mercado.

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Muitos clientes de pesquisas tinham críticas quanto a duração das pesquisas, custos e qualidade dos dados. Porém todos nos falavam da importância que as pesquisas tinham em seus projetos. Então começamos a nos aprofundar mais no assunto pesquisa de mercado e vimos que haviam muitas lacunas onde processos poderiam ser repensados através de tecnologia.

Durante um almoço após uma dessas reuniões, o Fernando teve a ideia:  “Cara, será que não daria para fazer um app de smartphone que transformasse qualquer pessoa em um pesquisador e esse usuário de smartphone faria a pesquisa para nós?”

 

Ligado: Vocês participaram do Desafio Brasil. Acham que esse tipo de competição ajuda os jovens a desenvolverem suas ideias?

Alessandro: Com certeza! Essas competições são uma oportunidade incrível para que empreendedores de sucesso e investidores avaliem a sua ideia e te deem a coisa mais valiosa que um empreendedor pode receber: feedback. Validar a sua ideia é TUDO para uma startup.

 

Ligado: Vocês acreditam que não é necessária uma grande quantia de dinheiro no começo de um empreendimento? Como vocês lidaram com isso?

Alessandro: Exatamente! No primeiro ano de nosso empreendimento, pagávamos todas as contas da empresa com um dinheiro que tínhamos economizado na época do nosso estágio e com ajuda de nossos pais. Nos primeiros 12 meses da empresa, gastamos um total de R$10 mil dividido igualmente entre os dois sócios.

Mas só conseguimos rodar com tão poucos recursos porque incorporamos totalmente a filosofia do Lean Startup (Eric Ries) e do Customer Development (Steve Blank) que nos ensinaram a ser extremamente enxutos e a validar as nossas ideias gastando o mínimo de recursos possível.

 

Ligado: Qual foi a maior dificuldade que passaram no processo de criação da Lean Survey?

Alessandro: Eu tenho que escolher duas maiores dificuldades:

1 – Resiliência quando as coisas deram errado. Não só quando a primeira ideia não deu certo, mas durante todo o processo e até hoje. Startup é uma montanha russa, hoje você está no topo do mundo e amanhã em plena queda-livre.

2 – Saber lidar com a pressão e fazer sacrifícios para conseguir fazer o que era necessário. Muitas vezes tivemos que passar duas semanas seguidas varando TODAS as madrugadas trabalhando e dormindo menos de 4h por dia para poder entregar em uma semana o trabalho de 1 mês.

Fizemos isso pois, às vezes, surgem oportunidades únicas que você tem que agarrar não importando o quão impossível seja essa tarefa. São oportunidades únicas que se você não der um jeito de entregar em uma semana, você perde a oportunidade.

 

Ligado: Expliquem um pouco melhor como a galera pode ganhar dinheiro usando a Lean Survey.

Alessandro: Para o nosso usuário, a Lean Survey é um aplicativo de smartphone que paga dinheiro em troca do usuário entrevistar outras pessoas.

É bem simples: o usuário se cadastra em nosso site http://leansurvey.com.br/ e baixa o nosso aplicativo na PlayStore. Quando tivermos uma pesquisa para realizar na cidade/região que aquele usuário se encontra, vamos enviar no e-mail dele um convite para uma missão.

Esse convite vai dizer basicamente o que o usuário tem que fazer. Geralmente, as missões são para o usuário ir até um determinado local e entrevistar pessoas de um determinado perfil (gênero, idade, classe social, etc) utilizando um questionário padrão que vamos fornecer.

Se o usuário aceita o convite, ele tem que passar por um treinamento onde ensinamos a ele como ser um pesquisador, como abordar as pessoas para a entrevista, como se comportar durante a entrevista, o que fazer e o que não fazer, etc. É um treinamento bem curto e simples. Após isso, ele faz uma provinha super rápida onde ele responde algumas perguntas sobre o treinamento que ele fez. Se o usuário passar na provinha, ele está pronto para começar a realizar as entrevistas.

Pagamos o usuário por cada entrevista que ele fizer que esteja de acordo com o objetivo da missão e que siga as diretrizes do treinamento. Normalmente a pesquisa dura uma a duas semanas e um usuário normal trabalha de 1 a 2 dias em cada pesquisa.

 

Tem uma história legal para contar? Mande um email para: contato@ligadonafacul.com.br e apareça no “Você no Ligado”!